O que é um peido para quem está todo cagado?

setembro 24, 2008

A expressão do título é conhecida de todos, mas o texto que a originou é menos conhecido. É uma obra de Luis Fernando Veríssimo sobre a obra verídica que ele fez numa viagem para Miami.

Aeroporto Santos Dumont, 15:30.
Senti um pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão. ’Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo, o avião só sairía às 16:30′. Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto.  Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil falei: ‘Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro.’ Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: ‘Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1hora, devido a obras na pista’. ’Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação anus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderiabotar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal. Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e confessei sério: ‘Cara, caguei!’ Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. ‘Que se dane, me limpo no aeroporto’, pensei. ‘Pior que isso não fico’. Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira, mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merda, agoralíqüida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar. Afinal de contas, o que era um peidinho para quem já estava todo cagado… Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez. Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pêlos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada. Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe emboxe, constatei falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: ‘Agora chega, né?’ Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que concluí como sendo o fundo do poço) e esperar pelaminha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia. Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o ‘check-in’ e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. ‘Ele tinha despachado a mala com roupas’. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola ‘V’. Atemperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus. Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era história. As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar. A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar. Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola ‘V’, sem camisa. Mas caminhava com a dignidade de um lorde. Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o ‘RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO’ e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir: ‘Nada, obrigado.’ Eu só queria esquecer este dia de merda. Um dia de merda…

Luis Fernando Veríssimo (verídico).


Pseudo Inteligência

setembro 15, 2008

Pessoal, chega!

Aproveitando a super euforia que me domina às segundas, venho aqui compartilhar uma situação, por muitas vezes infame, que faz parte de minha rotina. Todos, ou quase todos, conhecemos o Windows Live Messenger e o Orkut. Esses programas lhe permitem colocar mensagens pessoais, onde por muitas vezes as pessoas colocam as famosas frases brilhantes de amor, pensamentos das mentes mais ilustres da humanidade, ou senão aquelas reflexões pessoais hilariantes.

Venho aqui falar acerca do último caso, em que, na ânsia por parecerem inteligentes, as pessoas cometem as maiores gafes e acham que estão abafando. Existe um contato em minha lista que é hors concours: ele simplesmente não consegue escrever uma frase, que tenha sentido, que não tenha erros gramaticais ou que seja efetivamente inteligente. Inclusive, a mensagem do dia é: “OQ é bom dura o suficiente para se torna inesquecivel!!!!”, escrito exatamente dessa forma. Eis que em seu orkut, se encontra: “PARA CADA MINUTO QUE VC SE ABORRCE, VC PERDE SESSENTA SEGUNDOS DE FELICIDADE!!!!!!!!”.

Pô! Não que eu seja um mestre em português, mas noção nunca é demais. Além do mais, frases batidas e raciocínios infantis como esses, guarde pra você! Não espalhe procurando demonstrar-se inteligente, quando efetivamente você apenas se diminui.

Outra maravilha são as mensagens em inglês. Engraçado como todos aqueles que procuram escrever algo em inglês, são aqueles que não tem domínio algum da língua. Eis que por ter estudado aproximadamente 9 anos de inglês, e ser um usuário mediano da língua, eu percebo falhas horripilantes do tipo: “I is happy!”, “Gud Morning piple!”, entre outras… Aqui me remeto ao meu melhor amigo, que por sinal é mestre nesse tipo de situação.

Existem também as mensagens dos bêbados. “”Eu bebo sim, estou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo!” – Procuro um emprego.” Meu Deus! Nem imagino o porquê está tão difícil arrumar um trampo… Ora, quem me conhece sabe que estou longe de ser um puritano, mas analisem essa frase e pensem: Vocês contratariam esse cara?

Tem também àquelas que lhe dizem que você está sempre errado: “Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo.” Porra, então se o cara é mau a culpa é minha? Volto à questão dos músicos e psicólogos tratada aqui, quem é você pra me dizer se estou certo ou errado?

Gente, qual a vantagem de fazer isso à si mesmo? E à língua portuguesa ou à inglesa? Volto a frisar, está na moda as pessoas procurarem ser aquilo que não são. Sejam vocês! Escrevam aquilo que conseguem escrever. Agora apresentar frases pseudo inteligentes apenas para parecer inteligentes, e ainda assim conseguir cair em desgraça, é o típico exemplo de comemoração da mediocridade.

Cuidem-se.

Bruno Merak.


Você é psicólogo? E músico?

setembro 1, 2008

Estava eu à ler uma crônica do BRILHANTE Walcyr Carrasco na edição da semana passada da Veja São Paulo. Confesso que de toda a Veja, a sessão de crônicas é a que leio mais suavemente, tendo em vista que é uma das poucas partes da revista em que não estão tentando me empurrar goela à baixo toneladas de idéias formadas por um senso elitista. Eis que o título era: “Cansei de ser Freud”. No texto, Walcyr conta casos e mais casos, onde todos explicam atitudes erradas (de si mesmo ou outrém) através de lapsos na criação, problemas domésticos, enfim… agem como se fossem psicólogos. Pra piorar, quase sempre são pessoas que não tem nenhum conhecimento sobre o assunto.

Um músico amigo meu, que por sinal é um dos caras mais engraçados que eu conheço, tem essa mensagem em seu perfil dentro de um portal de relacionamento bem famoso (orkut):

“Festa social, todo mundo com copo de whisky na mão. Dois sujeitos conversam:
- Olá, tudo bem?
- Sim, e você, como vai?
- Vou bem. Me disseram que você é músico?
- Sim.
- Nossa, e que instrumento você toca?
- Toco ZABUMBA.
- E toca em quais orquestras?
- Na OZESP e na OZUSP.
- Que beleza, hein? Deve ser cansativo, não?
- É o trabalho, né?
- Realmente, admiro vocês músicos, grande profissão essa. Até queria que meu filho fizesse música, mas o garoto não tem jeito, insiste que quer ser médico ou advogado.
- Ah, hoje em dia é assim, a garotada não tem jeito. Mas, e você, o que faz da vida?
- Eu sou médico.
- Jura? Mas como assim?
- Trabalho no Hospital das Clínicas.
- Clínicas…, não conheço. E faz o que lá?
- Sou cardiologista.
- Mas você tem um emprego não tem?
- Então, trabalho no hospital.
- Nas horas vagas?
- Não. Esse é o meu emprego.
- Mas ganha pra isso?
- Ganho sim, dá pra viver.
- E você não estudou? Não quis saber de faculdade?
- Estudei, fiz faculdade de medicina.
- Ah, é? Não sabia que tinha. Que interessante. Sabe, eu fui médico amador quando era jovem, uma vez fiz até uma operação num rapaz que tinha sido atropelado. Usei uma flanela de carro pra estancar o sangue e uma faca pra abrir a barriga do rapaz e parar a hemorragia. Eu até gostava, mas não levava muito jeito pra coisa. E ai minha mãe até disse: “Larga disso, garoto, vai estudar música”.
- É…, queria ter tido uma mãe assim.”

“O engraçado é que o contrário não é ridículo.”

Sinceramente, não há um fundo de razão nisso tudo? Se não um fundo, a razão inteira nos tragando em um turbilhão de indignação?

Na verdade, fiquei ainda mais impressionado com a relação psicólogo – músico, quando percebi que muitos amigos meus agora são DJ’s. Qualquer um que se preste à fazer algum barulho sintético, chama-o de música eletrônica e intitula-se DJ. Ou pior, seguindo a mania da mediocridade, chamam palavrões e letras sem sentido de Funk do seiláoquê e tornam-se MC’s.

Entendam bem, eu não acredito que ninguém seja ladrão porque passou por necessidades quando criança, nem acredito que um monte de sons misturados procurando um ritmo inexistente sejam considerados música. Mas sei lá, tá na moda querer ser o que não é. Eu acho isso errado, mas talvez eu tenha tido uma criação muito rígida…

Abraços,

Bruno Merak.


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