Balanço Olímpico – Pequim 2008

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Durante os últimos dias tivemos a oportunidade de acompanhar os jogos olímpicos. Um país cheio de contradições nos assombrou com a estrutura grandiosa do maior evento esportivo de todos os tempos e por 19 dias todas as atenções do mundo voltaram-se à Pequim, sede do evento. China e Estados Unidos, mais uma vez dominaram o quadro de medalhas, mas os grandes nomes do evento não foram nações e sim seus representantes. Michael Phelps e Usain Bolt, dois grandes esportistas e recordistas mundiais.

Começando com Michael Phelps, um nadador norte-americano. Um dos maiores atletas de todos os tempos, já quebrou trinta e dois recordes mundiais, e conquistou o maior número de medalhas de ouro numa só edição na história dos Jogos Olímpicos de Verão, nos jogos disputados em Pequim, nesse ano, superando todos os recordes. Com um total de dezesseis medalhas nas suas três participações, só lhe falta este recorde absoluto, que atualmente é da ginasta da ex-União Soviética, Larissa Latynina, com dezoito. No fim das contas, trata-se apenas do maior recordista olímpico de todos os tempos, à quem eu tive o prazer de assistir e torcer em seu favor.

Agência/Reuters

Em segundo lugar, mas não menos importante o jamaicano Usain Bolt. O maior corredor do mundo, ganhando as provas de 100m e 200m e 4x100m, quebrando três recordes mundiais, sobrando em todas as provas, inclusive nas finais. Bolt tem um perfil extrovertido e foi muito criticado por parecer “desprezo” aos seus adversários. Eu, particularmente, acredito que ele tem todo o direito de comemorar suas vitórias. Afinal, ele é bom mesmo. Não achei nenhuma vitória dele desrespeitosa. Bater no peito e comemorar é mais do que merecido após vencer os outros grandes nomes do mundo. Quando víamos jogadores brasileiros humilhando adversários em campo, era futebol arte. Agora se o jamaicano que é o “Pelé das pistas” comemora, a postura dele é desrespeitosa…

Aliás, o que dizer do futebol brasileiro? Aquela pelada que o “time” brasileiro disputou contra a seleção da Argentina, que por sinal sagrou-se campeã do torneio, foi digna de dó. Além de demonstrar um futebol de baixíssimo nível, ainda agrediram jogadores argentinos com faltas e entradas desleais. A verdade é que o que pesou pra garantir esse confronto, foi a verdadeira importância que cada país dá à um título desse. Enquanto o Brasil recruta jogadores desconhecidos, e procura uma única estrela pra brilhar, a Argentina trouxe o que havia de melhor em suas fileiras. Enquanto o Brasil não sabia quem levar aos jogos, a Argentina, já reunida e devidamente acertada com os clubes, treinava.

Nem vou me ater ao futebol, pois o Brasil já está acostumado a ver os nossos “craques multimilionários” não entrando em dividida porque tem uma carreira mais importante que defender às cores do país, e tem gente que tem a coragem de perguntar porque eu torço pra Argentina, mesmo criado no Brasil…

Futebol feminino, vôlei de praia e vôlei masculino foi triste de ver. Esses mereciam a medalha de ouro, pois lutaram até o final. Mas os Estados Unidos acabaram com todos, sem exceção. Na minha opinião, os americanos tiveram algo que nós não tivemos. Mas eu chego lá.

Nas velas, Scheidt é au concur. Pena que não veio o ouro para ele e Bruno Prada. Parabéns também à todos medalhistas de bronze, judô, vela, mas eu gostaria de ressaltar a Natália Falavigna. Eu acompanhei todas as suas lutas e a luta que ela perdeu a disputa pelo ouro foi realmente muito acirrada. Parabéns para ela, quem defendeu o Brasil com garra e competência.

Chegou a parte mais legal. Falar do César Cielo, da Maurren Maggi e do vôlei feminino. Começando pelo Cielo, o primeiro ouro. Eu já estava satisteito e meio conformado com um “fiasco brasileiro” nas olimpíadas. Não por não acreditar nos atletas, mas eu chego lá. De repente nos 100m livre aparece esse garoto com uma medalha de bronze. Fiquei espantado e pensando: “Como eu nunca ouvi falar dele?” Estava na casa de um amigo quando ouvi dizer que ele estava na final dos 50m. Pensei que poderia surgir mais uma medalhinha, principalmente por estar nadando contra Allan Bernard e Amaury Leveaux. Estava em casa, torcendo e dei um grito quando Cielo ganhou, que nem mesmo eu julgava que pudesse ser tão importante para mim uma medalha brasileira.

Reuters/Agência

Mas foi, o orgulho que senti daquele hino e daquela bandeira, da esperança de ver muito mais pela frente. Esperança essa que Maurren Maggi, em uma final de Salto em Distância eletrizante até o último salto, correspondeu. Mais uma vez o Brasil no topo.

Para finalizar os ouros, as meninas de encher os olhos do vôlei feminino. Paula Pequeno, Sheilla, Mari, Fabiana e cia. Mulheres lindas, e vencedoras. Ganharam um jogo bastante disputado contra os Estados Unidos e ganharam a tão merecida medalha que vinha batendo na trave há tempos.

Agência/EFE

Aos outros atletas, fica o agradecimento e a ciência de que mais poderiam ter feito. Grandes esperanças de medalha caíram por terra, ou por tablados, ou por sumiços de varas. Mas sabemos que apesar dos pesares, vocês fizeram o melhor que puderam naquele momento.

Finalizando, o momento que eu disse que chegaria.

Quanto ao Comitê Olímpico Brasileiro, ao Governo brasileiro e todos os responsáveis pelo esporte brasileiro. Já passou da hora de um país do porte do Brasil, com tanto potencial, agir como se o que foi conquistado estivesse bom. O Brasil tem capacidade de chegar aos jogos olímpicos e brigar pelas primeiras posições no quadro geral de medalhas. Basta investimento no esporte, investimento na estrutura que será fornecida para que os nossos atletas também tenham a oportunidade de se tornar “Super-Atletas”. Não adianta enviarmos contingentes cada vez maiores de atletas e não sermos capazes de alcançar cada vez mais medalhas. Não vi muitos de nossos favoritos à medalhas entrarem como favoritos, nem com postura de leões defendendo o que certamente é seu, o primeiro lugar no pódio, nesse caso. Vi brasileiros entrando amedrontados, ou sem esperanças de disputar com este ou aquele atleta. Brasileiros errando em momentos cruciais. Cadê o preparo psicológico? Por que quando um americano é favorito ele entra de cabeça erguida e ganha a prova e quando um brasileiro é favorito ele perde a atenção? Isso faz parte do esporte. Mais do que nunca isso ficou claro durante essas olimpíadas. Por melhores que sejam os nossos atletas, e eles são, não estão preparados para momentos de pressão. Enfim, eu poderia dissertar horas sobre a minha revolta em relação ao descaso de grande parte das entidades e autoridades brasileiras. Mas a verdade, é que essas olimpíadas me deixou com um gostinho de derrota, pois eu sei que poderíamos ter tido um desempenho bem melhor.

Que venham os jogos olímpicos de Londres 2012!!!!

Agência / EFE

Abraços,

Bruno Merak.

3 respostas para Balanço Olímpico – Pequim 2008

  1. mnazian disse:

    Caro compatriota tão moralmente abalado.

    Gostaria de fazer um comunicado importante: redigi uma proposta (brilhante, por sinal) ao Comitê Olímpico Brasileiro… caso eles gostem, pode ser apresentada mais seriamente ao COI… Antes de enviar minha reinvindicação, gostaria da sua opinião…

    coloquei a proposta no seguinte endereço: http://queridobunker.wordpress.com/2008/08/21/proposta-esportiva/

    Sabemos que com os brasileiros apoiando esta idéia, podemos fazer muito mais pelo esporte.

    Desde já agradeço a atenção.

  2. Rolzildo disse:

    DAEW, Merakea ;:D

    Muito bom o teu blog, teu sentido crítico quando é empregado nas ordens lógicas da educação é génial.

    O Dark Side nos cá sabemos né?? evil.

    Abraço ^^

  3. day disse:

    foi maravilhoso esta olinpíada

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