Ossétia do Sul e Abkházia

agosto 27, 2008

Engraçado como uma região praticamente desconhecida e tão pequena pode ser o centro de todas as atenções políticas mundiais. Ainda mais engraçado, é que os dois personagens principais e antagônicos que estrelaram a famosa e finada Guerra Fria, começam a se posicionar em sentidos contrários quanto às posturas dos dois países envolvidos. Enquanto os russos brigam com a Geórgia e estão fazendo de tudo para declarar a independência da Ossétia do Sul, que se aproxima, realmente, muito mais da população russa do que da georgiana, a Geórgia tenta manter o controle da região desde o fim da União Soviética, mesmo havendo sempre o desejo separatista da região e conta com o apoio de muitos países ocidentais, inclusive dos Estados Unidos, quem já andou trocando farpas com a Rússia em declarações internacionais.

Pra ser sincero, eu ainda não tive tempo de refletir acerca do assunto para tomar um partido ou formar uma opinião à respeito. Estou trazendo isso de forma mais jornalística do que crítica. No entanto, eu já posso dizer que discordo completamente de uma das posturas da Rússia.

Como pode um país alegar que está fazendo guerra para salvar vidas humanas? Eis a declaração do presidente Medvedev ao reconhecer a independência dessas duas regiões perante à Geórgia:

“Meus compatriotas cidadãos da Rússia!

Vocês estão sem dúvida cientes sobre a tragédia da Ossétia do Sul. O bombardeio em estilo de execução noturna conduzido por tropas da Geórgia resultou na morte de centenas de nossos civis. Entre os mortos havia membros das forças de paz russas, que deram suas vidas para cumprir seu dever de proteção às mulheres, crianças e idosos.

A liderança georgiana, violando a Carta das Nações Unidas e suas obrigações sob os tratados internacionais, e contrariando a voz da razão, deflagrou um conflito armado que fez vítimas entre os civis inocentes. O mesmo destino estava reservado à Abkházia. Obviamente, eles em Tbilisi esperavam por uma guerra-relâmpago que teria apresentado ao mundo um fato consumado. A maneira mais desumana foi selecionada para atingir esse objetivo anexar a Ossétia do Sul por meio da aniquilação de todo um povo.

Essa não foi a primeira tentativa de fazê-lo. Em 1991, o presidente Gamsakhurdia, da Geórgia, tendo proclamado o lema “Geórgia para os georgianos” –pensem só nisso!– ordenou ataques contra as cidades de Sukhumi e Tskhinvali. O resultado, então, foram milhares de pessoas mortas, dezenas de milhares de desabrigados, aldeias devastadas.

E foi a Rússia que, então, pôs fim à erradicação dos povos ossetiano e abkhaz. Nosso país se apresentou como mediador e como protetor da paz, insistindo em um acordo político. Ao fazê-lo, nos deixamos orientar invariavelmente pelo respeito à integridade territorial da Geórgia.

A liderança georgiana escolheu outro caminho. Perturbou o processo de negociações, ignorou os acordos atingidos, cometeu provocações políticas e militares, atacou as forças de paz –ações que violaram de maneira grotesca o regime estabelecido nas zonas de conflito com o apoio das Nações Unidas e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

A Rússia continuamente exibiu calma e paciência. Apelamos repetidamente pelo retorno às negociações e não nos desviamos de nossa posição mesmo depois da declaração unilateral de independência de Kosovo. No entanto, nossas persistentes propostas ao lado georgiano para a conclusão de acordos com a Abkházia e a Ossétia do Sul que prevenissem o recurso à força passaram irrespondidas. Lastimavelmente foram também ignoradas pela Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) e até mesmo pelas Nações Unidas.

Parece bastante claro, agora, que uma resolução pacífica do conflito não fazia parte dos planos de Tbilisi. A liderança georgiana estava se preparando metodicamente para a guerra, enquanto o apoio político e material fornecido por seus guardiões estrangeiros só servia para reforçar a percepção de sua impunidade.

Tbilisi fez sua escolha na noite de 8 de agosto de 2008. Saakashvili optou pelo genocídio como forma de realizar seus objetivos políticos. Ao fazê-lo, se tornou responsável por eliminar as esperanças de uma coexistência pacífica entre georgianos, ossetianos e abkhazes em um Estado unificado.

Os povos da Ossétia do Sul e da Abkházia por diversas vezes se pronunciaram em referendos que favorecem a independência de suas repúblicas. Nosso entendimento é que, depois do que aconteceu em Tskhinvali e havia sido planejado para a Abkházia, eles têm o direito de decidir seu destino de maneira autônoma.

Os presidentes da Ossétia do sul e da Abkházia, com base nos resultados de referendos conduzidos e de decisões tomadas pelos Parlamentos de ambas repúblicas, apelaram à Rússia que reconheça a soberania da Ossétia do Sul e da Abkházia como Estados. O Conselho da Federação e a Duma [as duas casas do Legislativo russo] votaram atender a esses apelos.

É necessário tomar uma decisão com base na situação prática existente. Considerando a vontade expressa livremente pelos povos da Ossétia do Sul e da Abkházia, e sob a orientação das cláusulas da Carta das Nações Unidas, da declaração 1.970 quanto aos Princípios da Lei Internacional sobre o Relacionamento Amistoso entre Estados, do ato final da conferência da CSCE em Helsinki, de 1975, e de outros instrumentos internacionais fundamentais, assinei decretos pelos quais a Federação Russa reconhece a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia.

A Rússia apela às demais nações que sigam esse exemplo. Não se trata de uma escolha fácil, mas representa a única possibilidade de salvar vidas humanas.”

Partindo-se do conceito de Política, e a ciência de que a mesma é alternativa à Guerra, será que existe mesmo alguma razão por trás das atitudes da Rússia? Não sei… Mas em breve retomarei este assunto e poderei falar com mais propriedade.

Abraços,

Bruno Merak.


Balanço Olímpico – Pequim 2008

agosto 25, 2008

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Durante os últimos dias tivemos a oportunidade de acompanhar os jogos olímpicos. Um país cheio de contradições nos assombrou com a estrutura grandiosa do maior evento esportivo de todos os tempos e por 19 dias todas as atenções do mundo voltaram-se à Pequim, sede do evento. China e Estados Unidos, mais uma vez dominaram o quadro de medalhas, mas os grandes nomes do evento não foram nações e sim seus representantes. Michael Phelps e Usain Bolt, dois grandes esportistas e recordistas mundiais.

Começando com Michael Phelps, um nadador norte-americano. Um dos maiores atletas de todos os tempos, já quebrou trinta e dois recordes mundiais, e conquistou o maior número de medalhas de ouro numa só edição na história dos Jogos Olímpicos de Verão, nos jogos disputados em Pequim, nesse ano, superando todos os recordes. Com um total de dezesseis medalhas nas suas três participações, só lhe falta este recorde absoluto, que atualmente é da ginasta da ex-União Soviética, Larissa Latynina, com dezoito. No fim das contas, trata-se apenas do maior recordista olímpico de todos os tempos, à quem eu tive o prazer de assistir e torcer em seu favor.

Agência/Reuters

Em segundo lugar, mas não menos importante o jamaicano Usain Bolt. O maior corredor do mundo, ganhando as provas de 100m e 200m e 4x100m, quebrando três recordes mundiais, sobrando em todas as provas, inclusive nas finais. Bolt tem um perfil extrovertido e foi muito criticado por parecer “desprezo” aos seus adversários. Eu, particularmente, acredito que ele tem todo o direito de comemorar suas vitórias. Afinal, ele é bom mesmo. Não achei nenhuma vitória dele desrespeitosa. Bater no peito e comemorar é mais do que merecido após vencer os outros grandes nomes do mundo. Quando víamos jogadores brasileiros humilhando adversários em campo, era futebol arte. Agora se o jamaicano que é o “Pelé das pistas” comemora, a postura dele é desrespeitosa…

Aliás, o que dizer do futebol brasileiro? Aquela pelada que o “time” brasileiro disputou contra a seleção da Argentina, que por sinal sagrou-se campeã do torneio, foi digna de dó. Além de demonstrar um futebol de baixíssimo nível, ainda agrediram jogadores argentinos com faltas e entradas desleais. A verdade é que o que pesou pra garantir esse confronto, foi a verdadeira importância que cada país dá à um título desse. Enquanto o Brasil recruta jogadores desconhecidos, e procura uma única estrela pra brilhar, a Argentina trouxe o que havia de melhor em suas fileiras. Enquanto o Brasil não sabia quem levar aos jogos, a Argentina, já reunida e devidamente acertada com os clubes, treinava.

Nem vou me ater ao futebol, pois o Brasil já está acostumado a ver os nossos “craques multimilionários” não entrando em dividida porque tem uma carreira mais importante que defender às cores do país, e tem gente que tem a coragem de perguntar porque eu torço pra Argentina, mesmo criado no Brasil…

Futebol feminino, vôlei de praia e vôlei masculino foi triste de ver. Esses mereciam a medalha de ouro, pois lutaram até o final. Mas os Estados Unidos acabaram com todos, sem exceção. Na minha opinião, os americanos tiveram algo que nós não tivemos. Mas eu chego lá.

Nas velas, Scheidt é au concur. Pena que não veio o ouro para ele e Bruno Prada. Parabéns também à todos medalhistas de bronze, judô, vela, mas eu gostaria de ressaltar a Natália Falavigna. Eu acompanhei todas as suas lutas e a luta que ela perdeu a disputa pelo ouro foi realmente muito acirrada. Parabéns para ela, quem defendeu o Brasil com garra e competência.

Chegou a parte mais legal. Falar do César Cielo, da Maurren Maggi e do vôlei feminino. Começando pelo Cielo, o primeiro ouro. Eu já estava satisteito e meio conformado com um “fiasco brasileiro” nas olimpíadas. Não por não acreditar nos atletas, mas eu chego lá. De repente nos 100m livre aparece esse garoto com uma medalha de bronze. Fiquei espantado e pensando: “Como eu nunca ouvi falar dele?” Estava na casa de um amigo quando ouvi dizer que ele estava na final dos 50m. Pensei que poderia surgir mais uma medalhinha, principalmente por estar nadando contra Allan Bernard e Amaury Leveaux. Estava em casa, torcendo e dei um grito quando Cielo ganhou, que nem mesmo eu julgava que pudesse ser tão importante para mim uma medalha brasileira.

Reuters/Agência

Mas foi, o orgulho que senti daquele hino e daquela bandeira, da esperança de ver muito mais pela frente. Esperança essa que Maurren Maggi, em uma final de Salto em Distância eletrizante até o último salto, correspondeu. Mais uma vez o Brasil no topo.

Para finalizar os ouros, as meninas de encher os olhos do vôlei feminino. Paula Pequeno, Sheilla, Mari, Fabiana e cia. Mulheres lindas, e vencedoras. Ganharam um jogo bastante disputado contra os Estados Unidos e ganharam a tão merecida medalha que vinha batendo na trave há tempos.

Agência/EFE

Aos outros atletas, fica o agradecimento e a ciência de que mais poderiam ter feito. Grandes esperanças de medalha caíram por terra, ou por tablados, ou por sumiços de varas. Mas sabemos que apesar dos pesares, vocês fizeram o melhor que puderam naquele momento.

Finalizando, o momento que eu disse que chegaria.

Quanto ao Comitê Olímpico Brasileiro, ao Governo brasileiro e todos os responsáveis pelo esporte brasileiro. Já passou da hora de um país do porte do Brasil, com tanto potencial, agir como se o que foi conquistado estivesse bom. O Brasil tem capacidade de chegar aos jogos olímpicos e brigar pelas primeiras posições no quadro geral de medalhas. Basta investimento no esporte, investimento na estrutura que será fornecida para que os nossos atletas também tenham a oportunidade de se tornar “Super-Atletas”. Não adianta enviarmos contingentes cada vez maiores de atletas e não sermos capazes de alcançar cada vez mais medalhas. Não vi muitos de nossos favoritos à medalhas entrarem como favoritos, nem com postura de leões defendendo o que certamente é seu, o primeiro lugar no pódio, nesse caso. Vi brasileiros entrando amedrontados, ou sem esperanças de disputar com este ou aquele atleta. Brasileiros errando em momentos cruciais. Cadê o preparo psicológico? Por que quando um americano é favorito ele entra de cabeça erguida e ganha a prova e quando um brasileiro é favorito ele perde a atenção? Isso faz parte do esporte. Mais do que nunca isso ficou claro durante essas olimpíadas. Por melhores que sejam os nossos atletas, e eles são, não estão preparados para momentos de pressão. Enfim, eu poderia dissertar horas sobre a minha revolta em relação ao descaso de grande parte das entidades e autoridades brasileiras. Mas a verdade, é que essas olimpíadas me deixou com um gostinho de derrota, pois eu sei que poderíamos ter tido um desempenho bem melhor.

Que venham os jogos olímpicos de Londres 2012!!!!

Agência / EFE

Abraços,

Bruno Merak.


Apresentação

agosto 22, 2008

Olá à todos,

Meu nome é Bruno, tenho 23 anos e sou estudante de Direito. Sempre tive vontade de colocar opiniões acerca dos mais variados assuntos, expressando o meu ponto de vista. Esse ponto de vista, não significa uma verdade absoluta. Muitas vezes o que parecer verdade à mim, pode não parecer à você. Esteja a vontade para criticar, corrigir, adicionar informações e discutir os temas aqui abordados. Espero poder encontrá-los muitas vezes por aqui.

Abraços,

Bruno.


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