O que é um peido para quem está todo cagado?

Setembro 24, 2008

A expressão do título é conhecida de todos, mas o texto que a originou é menos conhecido. É uma obra de Luis Fernando Veríssimo sobre a obra verídica que ele fez numa viagem para Miami.

Aeroporto Santos Dumont, 15:30.
Senti um pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão. ’Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo, o avião só sairía às 16:30′. Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto.  Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil falei: ‘Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro.’ Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: ‘Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1hora, devido a obras na pista’. ’Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação anus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderiabotar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal. Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e confessei sério: ‘Cara, caguei!’ Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. ‘Que se dane, me limpo no aeroporto’, pensei. ‘Pior que isso não fico’. Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira, mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merda, agoralíqüida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar. Afinal de contas, o que era um peidinho para quem já estava todo cagado… Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez. Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pêlos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada. Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe emboxe, constatei falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: ‘Agora chega, né?’ Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que concluí como sendo o fundo do poço) e esperar pelaminha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia. Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o ‘check-in’ e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. ‘Ele tinha despachado a mala com roupas’. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola ‘V’. Atemperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus. Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era história. As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar. A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar. Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola ‘V’, sem camisa. Mas caminhava com a dignidade de um lorde. Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o ‘RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO’ e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir: ‘Nada, obrigado.’ Eu só queria esquecer este dia de merda. Um dia de merda…

Luis Fernando Veríssimo (verídico).


Pseudo Inteligência

Setembro 15, 2008

Pessoal, chega!

Aproveitando a super euforia que me domina às segundas, venho aqui compartilhar uma situação, por muitas vezes infame, que faz parte de minha rotina. Todos, ou quase todos, conhecemos o Windows Live Messenger e o Orkut. Esses programas lhe permitem colocar mensagens pessoais, onde por muitas vezes as pessoas colocam as famosas frases brilhantes de amor, pensamentos das mentes mais ilustres da humanidade, ou senão aquelas reflexões pessoais hilariantes.

Venho aqui falar acerca do último caso, em que, na ânsia por parecerem inteligentes, as pessoas cometem as maiores gafes e acham que estão abafando. Existe um contato em minha lista que é hors concours: ele simplesmente não consegue escrever uma frase, que tenha sentido, que não tenha erros gramaticais ou que seja efetivamente inteligente. Inclusive, a mensagem do dia é: “OQ é bom dura o suficiente para se torna inesquecivel!!!!”, escrito exatamente dessa forma. Eis que em seu orkut, se encontra: “PARA CADA MINUTO QUE VC SE ABORRCE, VC PERDE SESSENTA SEGUNDOS DE FELICIDADE!!!!!!!!”.

Pô! Não que eu seja um mestre em português, mas noção nunca é demais. Além do mais, frases batidas e raciocínios infantis como esses, guarde pra você! Não espalhe procurando demonstrar-se inteligente, quando efetivamente você apenas se diminui.

Outra maravilha são as mensagens em inglês. Engraçado como todos aqueles que procuram escrever algo em inglês, são aqueles que não tem domínio algum da língua. Eis que por ter estudado aproximadamente 9 anos de inglês, e ser um usuário mediano da língua, eu percebo falhas horripilantes do tipo: “I is happy!”, “Gud Morning piple!”, entre outras… Aqui me remeto ao meu melhor amigo, que por sinal é mestre nesse tipo de situação.

Existem também as mensagens dos bêbados. “”Eu bebo sim, estou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo!” – Procuro um emprego.” Meu Deus! Nem imagino o porquê está tão difícil arrumar um trampo… Ora, quem me conhece sabe que estou longe de ser um puritano, mas analisem essa frase e pensem: Vocês contratariam esse cara?

Tem também àquelas que lhe dizem que você está sempre errado: “Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo.” Porra, então se o cara é mau a culpa é minha? Volto à questão dos músicos e psicólogos tratada aqui, quem é você pra me dizer se estou certo ou errado?

Gente, qual a vantagem de fazer isso à si mesmo? E à língua portuguesa ou à inglesa? Volto a frisar, está na moda as pessoas procurarem ser aquilo que não são. Sejam vocês! Escrevam aquilo que conseguem escrever. Agora apresentar frases pseudo inteligentes apenas para parecer inteligentes, e ainda assim conseguir cair em desgraça, é o típico exemplo de comemoração da mediocridade.

Cuidem-se.

Bruno Merak.


Basile e Dunga…

Setembro 11, 2008

Antes de mais nada, eu quero deixar claro que estou P… da vida. Afinal, aos 48 minutos do segundo tempo, perder dois pontos que nos colocariam isolados na vice-liderança das eliminatórias, e agora ainda estamos atrás da seleção brasileira por um golzinho de saldo. Enfim… coisas do futebol.

Vou começar iluminando meus irmãos brasileiros com o meu saber futebolístico adquirido a partir dessa proximidade com a Europa aliada aos ares sulamericanos, que tornam a Argentina o que é, a maior. Meus caros, vocês confundiram o anão! Vocês queriam o Mestre, contrataram o Dunga, e levaram o Zangado. Aliás, contrataram não… Nessa ânsia de renovação após o fiasco da Copa do Mundo, alguém até inventou que basta ter jogado bola pra ser técnico!

Gente! Prestem atenção em algumas diferenças:

Wanderley Luxemburgo: Títulos

Rio Branco: Campeonato Capixaba: 1983

Bragantino: Campeonato Brasileiro Série B: 1989 / Campeonato Paulista: 1990
Palmeiras: Campeonato Brasileiro1993 e 1994 / Torneio Rio-São Paulo1993 / Campeonato Paulista1993199419962008
Santos: Campeonato Brasileiro2004 / Torneio Rio-São Paulo1997 / Campeonato Paulista2006 e 2007
Corinthians: Campeonato Brasileiro1998 / Campeonato Paulista2001
Seleção Brasileira: Copa América1999 / Torneio Pré-Olímpico2000 /

Cruzeiro: Campeonato Brasileiro2003 / Copa do Brasil2003 / Campeonato Mineiro2003

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Luiz Felipe Scolari: Títulos Pessoais

Melhor treinador da América do Sul: 1999 e 2002

Melhor treinador do mundo: 2002

Títulos

CSA: Campeonato Alagoano: 1982

Grêmio: Campeonato Gaúcho: 1987, 1995, 1996 / Copa do Brasil: 1994 / Copa Libertadores: 1995 / Campeonato Brasileiro: 1996 / Recopa Sul-Americana: 1996

Al Qadisiya: Copa do Emirado: 1989

Kuwait: Copas da Ásia: 1990

Criciúma: Copa do Brasil: 1991

Palmeiras: Copa do Brasil: 1998 / Copa Mercosul: 1998 / Copa Libertadores: 1999 / Torneio Rio-São Paulo: 2000

Cruzeiro: Copa Sul-Minas: 2001

Brasil: Copa do Mundo: 2002

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Dunga: Títulos

Brasil: Copa América2007 / Jogos Olímpicos de Verão de 2008: medalha de bronze

 Alguém nota a diferença? Eu poderia colocar Muricy Ramalho, até o Renato Gaúcho!!!!!!!!!!! Todos são mais capacitados que o Dunga para serem técnicos de futebol. Enquanto ele se negar a sair, pontos importantes serão perdidos. Eis aqui um relato de alguém que conhece a peça:

“Ele envergonhou seus irmãos”
Branca de neve sobre Dunga

A seleção brasileira precisa de um técnico. Não adianta ter 22 craques no banco, se você não tem alguém competente pra dizer à eles como atuar.

No momento, a seleção argentina, passa por pressões similares para mudança de técnico. Ontem aos 48 minutos do segundo tempo, sofreu um gol de empate do Peru, e deixou escapar a vitória (que não merecia). Eu acho que o Basile não consegue trabalhar pressionado, e a pressão lá na Argentina, se não for como é aqui no Brasil, é pior. Quem já visitou a Argentina, ou já ouviu falar de como é sabe: na Argentina, respira-se futebol. Os jornais esportivos, colunistas e o próprio Maradonna não perdoam. Riquelme está mal. Assim como Ronaldinho Gaúcho, ele nunca rende na seleção o que rende no clube.

Messi é um caso à parte: joga muito, mesmo com 2 marcadores só pra ele. A questão é que os dois maiores da América do Sul estão fazendo feio nas eliminatórias. Está na hora de mudar…

Abraços,

Bruno Merak.


FIFA World Cup Brazil 2014

Setembro 9, 2008

Atraso nas obras para Copa de 2014 preocupa especialistas

Paulo Amaral

São Paulo (SP) - Estádios em más condições, trânsito caótico, “apagão” na internet. Essas são apenas algumas das preocupações de engenheiros, arquitetos e políticos com relação à infra-estrutura necessária ao país para abrigar comsucesso os jogos da Copa do Mundo de 2014, confirmada para o Brasil.Em encontro realizado na tarde desta terça-feira no Centro Britânico da capital, o presidente Nacional do Sinaenco (Sindicado de Arquitetura e Engenharia Consultiva), José Roberto Bernasconi, o país não tem, no momento um só estádio em condições ideais para receber um evento do porte da Copa do Mundo.    

“O Brasil está atrasado. Há mais de um ano levantamos a situação dos estádios brasileiros e não há um em condições ideais para receber a Copa. Até o Engenhão, que é um estádio novo e moderno, está localizado em um local totalmente deteriorado. É uma pérola em meio a um mangue”, exagerou.

“Se não houver intervenção rápida e direta, não haverá Copa do Mundo no Brasil. As coisas estão paradas. Como está a infra-estrutura, a mobilidade, os aeroportos, as telecomunicações? Está tudo entupido de novo. A internet piscou e parou há dois meses. Imaginem se ela pára na abertura da Copa?”, questionou. “E os congestionamentos? Tem de haver mobilidade”, pediu Bernasconi, citando a organização da Fórmula 1, realizada todo ano em Interlagos, como modelo a ser seguido. “É um ensaio bem feito todo ano na capital, mas precisamos disso em âmbito nacional.

O engenheiro não quer que São Paulo repita os erros de planejamento que aconteceram na execução dos Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro. E foi muito claro ao exemplificar o que pretende evitar: “Não podemos repetir o erro do Pan-2007, quando o orçamento previsto, que era de R$ 400 milhões, subiu para R$ 3 bilhões. Além disso, não foram feitas melhorias na cidade e o Governo perdeu a oportunidade de passar o Rio de Janeiro a limpo, como foi feito em Barcelona na ocasião dos Jogos Olímpico de 1992”, comparou.

Caio Luiz de Carvalho, presidente da São Paulo Turismo, compartilhou da preocupação de Bernasconi. ‘Estamos atrasados, mas ainda há tempo. A Copa do Mundo é um diferencial que contamina o país inteiro, diferentemente do Pan, da Fórmula 1 e das Olimpíadas, que são realizados em apenas uma cidade. Por isso é importante o governo federal e os ministérios se planejarem’, pediu.

“Trata-se da promoção do país, um sinônimo de oportunidade que pode mudar muita coisa na história. Não só em estádios, mas em educação, infra-estrutura, agenda ambiental… O Rio tentou no Pan e não conseguiu porque se pautou de forma errada”, cutucou. “O grande desafio é deixarmos de ser telespectador dos grandes eventos e sermos atores. Temos que ser responsáveis e pensar no que deixaremos de herança para as cidades”, concluiu.

(fonte: http://www.gazetaesportiva.net/ge_noticias/bin/noticia.php?chid=239&nwid=32)

 

É isso aí… o país do Futebol terá condições de hospedar um evento desse porte? O Pan Americano até que foi um exemplo de superação brasileiro. Vamos ver até 2014 o que pode acontecer. Já vi por aí que tem corinthiano sonhando com estádio. Tadinhos…

Abraços,

Bruno Merak.


Você é psicólogo? E músico?

Setembro 1, 2008

Estava eu à ler uma crônica do BRILHANTE Walcyr Carrasco na edição da semana passada da Veja São Paulo. Confesso que de toda a Veja, a sessão de crônicas é a que leio mais suavemente, tendo em vista que é uma das poucas partes da revista em que não estão tentando me empurrar goela à baixo toneladas de idéias formadas por um senso elitista. Eis que o título era: “Cansei de ser Freud”. No texto, Walcyr conta casos e mais casos, onde todos explicam atitudes erradas (de si mesmo ou outrém) através de lapsos na criação, problemas domésticos, enfim… agem como se fossem psicólogos. Pra piorar, quase sempre são pessoas que não tem nenhum conhecimento sobre o assunto.

Um músico amigo meu, que por sinal é um dos caras mais engraçados que eu conheço, tem essa mensagem em seu perfil dentro de um portal de relacionamento bem famoso (orkut):

“Festa social, todo mundo com copo de whisky na mão. Dois sujeitos conversam:
- Olá, tudo bem?
- Sim, e você, como vai?
- Vou bem. Me disseram que você é músico?
- Sim.
- Nossa, e que instrumento você toca?
- Toco ZABUMBA.
- E toca em quais orquestras?
- Na OZESP e na OZUSP.
- Que beleza, hein? Deve ser cansativo, não?
- É o trabalho, né?
- Realmente, admiro vocês músicos, grande profissão essa. Até queria que meu filho fizesse música, mas o garoto não tem jeito, insiste que quer ser médico ou advogado.
- Ah, hoje em dia é assim, a garotada não tem jeito. Mas, e você, o que faz da vida?
- Eu sou médico.
- Jura? Mas como assim?
- Trabalho no Hospital das Clínicas.
- Clínicas…, não conheço. E faz o que lá?
- Sou cardiologista.
- Mas você tem um emprego não tem?
- Então, trabalho no hospital.
- Nas horas vagas?
- Não. Esse é o meu emprego.
- Mas ganha pra isso?
- Ganho sim, dá pra viver.
- E você não estudou? Não quis saber de faculdade?
- Estudei, fiz faculdade de medicina.
- Ah, é? Não sabia que tinha. Que interessante. Sabe, eu fui médico amador quando era jovem, uma vez fiz até uma operação num rapaz que tinha sido atropelado. Usei uma flanela de carro pra estancar o sangue e uma faca pra abrir a barriga do rapaz e parar a hemorragia. Eu até gostava, mas não levava muito jeito pra coisa. E ai minha mãe até disse: “Larga disso, garoto, vai estudar música”.
- É…, queria ter tido uma mãe assim.”

“O engraçado é que o contrário não é ridículo.”

Sinceramente, não há um fundo de razão nisso tudo? Se não um fundo, a razão inteira nos tragando em um turbilhão de indignação?

Na verdade, fiquei ainda mais impressionado com a relação psicólogo – músico, quando percebi que muitos amigos meus agora são DJ’s. Qualquer um que se preste à fazer algum barulho sintético, chama-o de música eletrônica e intitula-se DJ. Ou pior, seguindo a mania da mediocridade, chamam palavrões e letras sem sentido de Funk do seiláoquê e tornam-se MC’s.

Entendam bem, eu não acredito que ninguém seja ladrão porque passou por necessidades quando criança, nem acredito que um monte de sons misturados procurando um ritmo inexistente sejam considerados música. Mas sei lá, tá na moda querer ser o que não é. Eu acho isso errado, mas talvez eu tenha tido uma criação muito rígida…

Abraços,

Bruno Merak.


Ossétia do Sul e Abkházia

Agosto 27, 2008

Engraçado como uma região praticamente desconhecida e tão pequena pode ser o centro de todas as atenções políticas mundiais. Ainda mais engraçado, é que os dois personagens principais e antagônicos que estrelaram a famosa e finada Guerra Fria, começam a se posicionar em sentidos contrários quanto às posturas dos dois países envolvidos. Enquanto os russos brigam com a Geórgia e estão fazendo de tudo para declarar a independência da Ossétia do Sul, que se aproxima, realmente, muito mais da população russa do que da georgiana, a Geórgia tenta manter o controle da região desde o fim da União Soviética, mesmo havendo sempre o desejo separatista da região e conta com o apoio de muitos países ocidentais, inclusive dos Estados Unidos, quem já andou trocando farpas com a Rússia em declarações internacionais.

Pra ser sincero, eu ainda não tive tempo de refletir acerca do assunto para tomar um partido ou formar uma opinião à respeito. Estou trazendo isso de forma mais jornalística do que crítica. No entanto, eu já posso dizer que discordo completamente de uma das posturas da Rússia.

Como pode um país alegar que está fazendo guerra para salvar vidas humanas? Eis a declaração do presidente Medvedev ao reconhecer a independência dessas duas regiões perante à Geórgia:

“Meus compatriotas cidadãos da Rússia!

Vocês estão sem dúvida cientes sobre a tragédia da Ossétia do Sul. O bombardeio em estilo de execução noturna conduzido por tropas da Geórgia resultou na morte de centenas de nossos civis. Entre os mortos havia membros das forças de paz russas, que deram suas vidas para cumprir seu dever de proteção às mulheres, crianças e idosos.

A liderança georgiana, violando a Carta das Nações Unidas e suas obrigações sob os tratados internacionais, e contrariando a voz da razão, deflagrou um conflito armado que fez vítimas entre os civis inocentes. O mesmo destino estava reservado à Abkházia. Obviamente, eles em Tbilisi esperavam por uma guerra-relâmpago que teria apresentado ao mundo um fato consumado. A maneira mais desumana foi selecionada para atingir esse objetivo anexar a Ossétia do Sul por meio da aniquilação de todo um povo.

Essa não foi a primeira tentativa de fazê-lo. Em 1991, o presidente Gamsakhurdia, da Geórgia, tendo proclamado o lema “Geórgia para os georgianos” –pensem só nisso!– ordenou ataques contra as cidades de Sukhumi e Tskhinvali. O resultado, então, foram milhares de pessoas mortas, dezenas de milhares de desabrigados, aldeias devastadas.

E foi a Rússia que, então, pôs fim à erradicação dos povos ossetiano e abkhaz. Nosso país se apresentou como mediador e como protetor da paz, insistindo em um acordo político. Ao fazê-lo, nos deixamos orientar invariavelmente pelo respeito à integridade territorial da Geórgia.

A liderança georgiana escolheu outro caminho. Perturbou o processo de negociações, ignorou os acordos atingidos, cometeu provocações políticas e militares, atacou as forças de paz –ações que violaram de maneira grotesca o regime estabelecido nas zonas de conflito com o apoio das Nações Unidas e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

A Rússia continuamente exibiu calma e paciência. Apelamos repetidamente pelo retorno às negociações e não nos desviamos de nossa posição mesmo depois da declaração unilateral de independência de Kosovo. No entanto, nossas persistentes propostas ao lado georgiano para a conclusão de acordos com a Abkházia e a Ossétia do Sul que prevenissem o recurso à força passaram irrespondidas. Lastimavelmente foram também ignoradas pela Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) e até mesmo pelas Nações Unidas.

Parece bastante claro, agora, que uma resolução pacífica do conflito não fazia parte dos planos de Tbilisi. A liderança georgiana estava se preparando metodicamente para a guerra, enquanto o apoio político e material fornecido por seus guardiões estrangeiros só servia para reforçar a percepção de sua impunidade.

Tbilisi fez sua escolha na noite de 8 de agosto de 2008. Saakashvili optou pelo genocídio como forma de realizar seus objetivos políticos. Ao fazê-lo, se tornou responsável por eliminar as esperanças de uma coexistência pacífica entre georgianos, ossetianos e abkhazes em um Estado unificado.

Os povos da Ossétia do Sul e da Abkházia por diversas vezes se pronunciaram em referendos que favorecem a independência de suas repúblicas. Nosso entendimento é que, depois do que aconteceu em Tskhinvali e havia sido planejado para a Abkházia, eles têm o direito de decidir seu destino de maneira autônoma.

Os presidentes da Ossétia do sul e da Abkházia, com base nos resultados de referendos conduzidos e de decisões tomadas pelos Parlamentos de ambas repúblicas, apelaram à Rússia que reconheça a soberania da Ossétia do Sul e da Abkházia como Estados. O Conselho da Federação e a Duma [as duas casas do Legislativo russo] votaram atender a esses apelos.

É necessário tomar uma decisão com base na situação prática existente. Considerando a vontade expressa livremente pelos povos da Ossétia do Sul e da Abkházia, e sob a orientação das cláusulas da Carta das Nações Unidas, da declaração 1.970 quanto aos Princípios da Lei Internacional sobre o Relacionamento Amistoso entre Estados, do ato final da conferência da CSCE em Helsinki, de 1975, e de outros instrumentos internacionais fundamentais, assinei decretos pelos quais a Federação Russa reconhece a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia.

A Rússia apela às demais nações que sigam esse exemplo. Não se trata de uma escolha fácil, mas representa a única possibilidade de salvar vidas humanas.”

Partindo-se do conceito de Política, e a ciência de que a mesma é alternativa à Guerra, será que existe mesmo alguma razão por trás das atitudes da Rússia? Não sei… Mas em breve retomarei este assunto e poderei falar com mais propriedade.

Abraços,

Bruno Merak.


Balanço Olímpico – Pequim 2008

Agosto 25, 2008

http://images.beijing2008.cn/20070509/Img214070082.jpg

Durante os últimos dias tivemos a oportunidade de acompanhar os jogos olímpicos. Um país cheio de contradições nos assombrou com a estrutura grandiosa do maior evento esportivo de todos os tempos e por 19 dias todas as atenções do mundo voltaram-se à Pequim, sede do evento. China e Estados Unidos, mais uma vez dominaram o quadro de medalhas, mas os grandes nomes do evento não foram nações e sim seus representantes. Michael Phelps e Usain Bolt, dois grandes esportistas e recordistas mundiais.

Começando com Michael Phelps, um nadador norte-americano. Um dos maiores atletas de todos os tempos, já quebrou trinta e dois recordes mundiais, e conquistou o maior número de medalhas de ouro numa só edição na história dos Jogos Olímpicos de Verão, nos jogos disputados em Pequim, nesse ano, superando todos os recordes. Com um total de dezesseis medalhas nas suas três participações, só lhe falta este recorde absoluto, que atualmente é da ginasta da ex-União Soviética, Larissa Latynina, com dezoito. No fim das contas, trata-se apenas do maior recordista olímpico de todos os tempos, à quem eu tive o prazer de assistir e torcer em seu favor.

Agência/Reuters

Em segundo lugar, mas não menos importante o jamaicano Usain Bolt. O maior corredor do mundo, ganhando as provas de 100m e 200m e 4×100m, quebrando três recordes mundiais, sobrando em todas as provas, inclusive nas finais. Bolt tem um perfil extrovertido e foi muito criticado por parecer “desprezo” aos seus adversários. Eu, particularmente, acredito que ele tem todo o direito de comemorar suas vitórias. Afinal, ele é bom mesmo. Não achei nenhuma vitória dele desrespeitosa. Bater no peito e comemorar é mais do que merecido após vencer os outros grandes nomes do mundo. Quando víamos jogadores brasileiros humilhando adversários em campo, era futebol arte. Agora se o jamaicano que é o “Pelé das pistas” comemora, a postura dele é desrespeitosa…

Aliás, o que dizer do futebol brasileiro? Aquela pelada que o “time” brasileiro disputou contra a seleção da Argentina, que por sinal sagrou-se campeã do torneio, foi digna de dó. Além de demonstrar um futebol de baixíssimo nível, ainda agrediram jogadores argentinos com faltas e entradas desleais. A verdade é que o que pesou pra garantir esse confronto, foi a verdadeira importância que cada país dá à um título desse. Enquanto o Brasil recruta jogadores desconhecidos, e procura uma única estrela pra brilhar, a Argentina trouxe o que havia de melhor em suas fileiras. Enquanto o Brasil não sabia quem levar aos jogos, a Argentina, já reunida e devidamente acertada com os clubes, treinava.

Nem vou me ater ao futebol, pois o Brasil já está acostumado a ver os nossos “craques multimilionários” não entrando em dividida porque tem uma carreira mais importante que defender às cores do país, e tem gente que tem a coragem de perguntar porque eu torço pra Argentina, mesmo criado no Brasil…

Futebol feminino, vôlei de praia e vôlei masculino foi triste de ver. Esses mereciam a medalha de ouro, pois lutaram até o final. Mas os Estados Unidos acabaram com todos, sem exceção. Na minha opinião, os americanos tiveram algo que nós não tivemos. Mas eu chego lá.

Nas velas, Scheidt é au concur. Pena que não veio o ouro para ele e Bruno Prada. Parabéns também à todos medalhistas de bronze, judô, vela, mas eu gostaria de ressaltar a Natália Falavigna. Eu acompanhei todas as suas lutas e a luta que ela perdeu a disputa pelo ouro foi realmente muito acirrada. Parabéns para ela, quem defendeu o Brasil com garra e competência.

Chegou a parte mais legal. Falar do César Cielo, da Maurren Maggi e do vôlei feminino. Começando pelo Cielo, o primeiro ouro. Eu já estava satisteito e meio conformado com um “fiasco brasileiro” nas olimpíadas. Não por não acreditar nos atletas, mas eu chego lá. De repente nos 100m livre aparece esse garoto com uma medalha de bronze. Fiquei espantado e pensando: “Como eu nunca ouvi falar dele?” Estava na casa de um amigo quando ouvi dizer que ele estava na final dos 50m. Pensei que poderia surgir mais uma medalhinha, principalmente por estar nadando contra Allan Bernard e Amaury Leveaux. Estava em casa, torcendo e dei um grito quando Cielo ganhou, que nem mesmo eu julgava que pudesse ser tão importante para mim uma medalha brasileira.

Reuters/Agência

Mas foi, o orgulho que senti daquele hino e daquela bandeira, da esperança de ver muito mais pela frente. Esperança essa que Maurren Maggi, em uma final de Salto em Distância eletrizante até o último salto, correspondeu. Mais uma vez o Brasil no topo.

Para finalizar os ouros, as meninas de encher os olhos do vôlei feminino. Paula Pequeno, Sheilla, Mari, Fabiana e cia. Mulheres lindas, e vencedoras. Ganharam um jogo bastante disputado contra os Estados Unidos e ganharam a tão merecida medalha que vinha batendo na trave há tempos.

Agência/EFE

Aos outros atletas, fica o agradecimento e a ciência de que mais poderiam ter feito. Grandes esperanças de medalha caíram por terra, ou por tablados, ou por sumiços de varas. Mas sabemos que apesar dos pesares, vocês fizeram o melhor que puderam naquele momento.

Finalizando, o momento que eu disse que chegaria.

Quanto ao Comitê Olímpico Brasileiro, ao Governo brasileiro e todos os responsáveis pelo esporte brasileiro. Já passou da hora de um país do porte do Brasil, com tanto potencial, agir como se o que foi conquistado estivesse bom. O Brasil tem capacidade de chegar aos jogos olímpicos e brigar pelas primeiras posições no quadro geral de medalhas. Basta investimento no esporte, investimento na estrutura que será fornecida para que os nossos atletas também tenham a oportunidade de se tornar “Super-Atletas”. Não adianta enviarmos contingentes cada vez maiores de atletas e não sermos capazes de alcançar cada vez mais medalhas. Não vi muitos de nossos favoritos à medalhas entrarem como favoritos, nem com postura de leões defendendo o que certamente é seu, o primeiro lugar no pódio, nesse caso. Vi brasileiros entrando amedrontados, ou sem esperanças de disputar com este ou aquele atleta. Brasileiros errando em momentos cruciais. Cadê o preparo psicológico? Por que quando um americano é favorito ele entra de cabeça erguida e ganha a prova e quando um brasileiro é favorito ele perde a atenção? Isso faz parte do esporte. Mais do que nunca isso ficou claro durante essas olimpíadas. Por melhores que sejam os nossos atletas, e eles são, não estão preparados para momentos de pressão. Enfim, eu poderia dissertar horas sobre a minha revolta em relação ao descaso de grande parte das entidades e autoridades brasileiras. Mas a verdade, é que essas olimpíadas me deixou com um gostinho de derrota, pois eu sei que poderíamos ter tido um desempenho bem melhor.

Que venham os jogos olímpicos de Londres 2012!!!!

Agência / EFE

Abraços,

Bruno Merak.


Apresentação

Agosto 22, 2008

Olá à todos,

Meu nome é Bruno, tenho 23 anos e sou estudante de Direito. Sempre tive vontade de colocar opiniões acerca dos mais variados assuntos, expressando o meu ponto de vista. Esse ponto de vista, não significa uma verdade absoluta. Muitas vezes o que parecer verdade à mim, pode não parecer à você. Esteja a vontade para criticar, corrigir, adicionar informações e discutir os temas aqui abordados. Espero poder encontrá-los muitas vezes por aqui.

Abraços,

Bruno.